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Com juro menor e preço estável, é hora de comprar uma casa? Depende

by Lello Imóveis   ·  3 meses ago  

O momento do mercado de imóveis pode ser visto como favorável para comprar a casa própria: boa oferta, proprietários dispostos a negociar, juros mais baixos no financiamento e preços estáveis. Mas essa possibilidade não é para qualquer um. Com desemprego alto, é preciso avaliar bem se poderá arcar com um compromisso financeiro de até 30 anos, afirmam especialistas.

“É um bom momento para quem está com uma situação de renda familiar estável e pode se programar para o longo prazo”, disse o professor Alberto Ajzental, coordenador do curso de desenvolvimento de negócios imobiliários da FGV (Fundação Getulio Vargas).

“Mas a compra de um imóvel não pode ser decidida apenas com base em uma janela de oportunidade. Não podemos nos esquecer que a economia do país continua ruim. Os salários estão mais baixos e ainda há mais de 13 milhões de desempregados. Se você conseguiu ficar dentro do barco e ele parou de afundar, então talvez você possa pensar na compra de um imóvel”, afirmou Ajzental.

Renda comprometida por 30 anos

O professor destacou que alguns setores da economia seguem contraídos, o que exige maior cuidado por parte dos profissionais dessas áreas devido ao risco de demissão.

“A compra de um imóvel precisa ser planejada com muita atenção, já que a decisão implica um comprometimento de 20% a 30% da renda familiar e por um longo período, entre 25 e 30 anos.”

Preços seguem estáveis há dois anos

Uma vantagem para quem está planejando a compra para os próximos meses é que os preços dos imóveis ainda não reagiram ao aumento da procura. “Os preços estão praticamente estáveis há dois anos”, disse Angélica Quintela, gerente de marketing do site de buscas de imóveis Imovelweb.

No mercado de imóveis usados, os vendedores estão mais dispostos a conceder desconto para não ficar com o imóvel fechado. Segundo a imobiliária Lello, o desconto médio entre o valor pedido inicialmente pelo vendedor e o preço fechado na hora da venda de imóveis residenciais na Grande São Paulo está na casa dos 12%.

Proprietários ficaram mais realistas

“Os vendedores estão mais dispostos a negociar. Para aqueles que ainda resistem a dar algum desconto, nós chamamos para uma conversa e mostramos a eles o custo de ter um imóvel parado. O proprietário tem que pagar IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano]e condomínio todo mês. Ao longo de um ano, é um montante considerável”, afirmou Igor Freire, diretor de vendas da Lello.

“Depois do boom imobiliário de 2012, 2013, passamos por um período de crise econômica, que provocou retração do mercado. Agora, estamos em um cenário mais saudável. Houve um ajuste que ajudou a trazer os preços para a realidade. O vendedor está oferecendo imóvel a um preço mais realista”, declarou Marcelo Prata, especialista em crédito e mercado imobiliário, fundador do aplicativo Resale e do site Canal do Crédito.

Juros de financiamento estão mais baixos

Os juros do crédito imobiliário também estão favoráveis para quem quer comprar a casa própria, segundo os especialistas. As taxas recuaram do patamar de 11% ao ano no início de 2017 para 8% ao ano atualmente, ajustando-se à queda da Selic, a taxa básica de juros da economia, que está em 6,5% ao ano.

“O momento é bom especialmente para quem tem dinheiro disponível para investir. Mas quem precisa financiar parte da compra do imóvel, também está valendo a pena, porque os juros do financiamento bancário caíram”, disse Angélica.

“Está mais barato financiar imóvel. As taxas estão no mesmo nível do boom de 2012, 2013 e bem abaixo da época de crise, em 2015, 2016”, afirmou Prata.

Recomendação é pagar mais da metade à vista

Mesmo com as taxas menores no crédito imobiliário, os especialistas recomendam, sempre que possível, pagar mais da metade do valor do imóvel à vista e financiar apenas uma parcela da compra.

O último banco a reduzir os juros foi a Caixa Econômica Federal, para 8,5% ao ano. O banco estava atrasado em relação aos concorrentes, que já vinham praticando taxas menores.

Especialistas acham que juros podem cair mais

“Com a redução dos juros pela Caixa, a tendência é que voltemos a ter uma pressão concorrencial maior neste mercado, o que pode abrir espaço para mais reduções nos grandes bancos, que vão precisar reagir”, disse Rafael Sasso, cofundador do site de pesquisa de financiamentos Melhortaxa.

Os especialistas afirmam que há espaço para os juros do crédito imobiliário recuarem mais, caso o Banco Central anuncie um novo corte da taxa Selic ainda neste ano. Porém, o Banco Central já sinalizou que a redução da taxa básica depende da aprovação da reforma da Previdência pelo Congresso.

Veja taxas mínimas nos principais bancos

  • Banco do Brasil: 8,49% ao ano mais TR no SFH (Sistema Financeiro de Habitação) ou 8,85% mais TR na CH (Carteira Hipotecária)
  • Bradesco: 8,85% ao ano mais TR
  • Caixa: 8,5% ao ano mais TR
  • Itaú: 8,3% ao ano mais TR
  • Santander: 8,9% ao ano mais TR
  • As taxas acima são as menores praticadas por cada banco para financiamentos de imóveis novos ou usados de qualquer valor. O valor da TR (taxa referencial) hoje é zero. Essas taxas não valem para imóveis que se enquadram no Minha Casa Minha Vida (MCMV), que possuem condições de crédito diferenciadas.

    No caso do Banco do Brasil, há diferença de taxas para financiamentos pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), destinado à compra de imóveis com valor de até R$ 1,5 milhão, e para crédito por meio de Carteira Hipotecária (CH), para compra de imóveis acima de R$ 1,5 milhão.

    Bancos financiam em geral até 80% do imóvel

    De forma geral, os bancos financiam o equivalente a até 80% do valor do imóvel. A prestação não pode comprometer mais do que 30% da renda familiar. O prazo do financiamento pode alcançar 30 ou 35 anos, dependendo do banco.

    Matéria de Téo Takar, publicado por UOL, em São Paulo 22/06/2019.